Rodrigo O. Rocha

Rodrigo O. Rocha

Rodrigo Oliveira Rocha é o Presidente do Sindicomerciários ES.

Quinta, 23 Agosto 2018 17:04

A eleição para presidente da República foi oficialmente inaugurada. Não apenas para presidente. Em outubro também estaremos escolhendo deputados estaduais, federais, governadores e senadores. Já é tempo dos trabalhadores iniciarem um debate sobre o futuro que queremos.

Nas eleições deste ano dois projetos distintos estarão colocados: o primeiro, apoiado pela classe patronal, aprofunda os ataques contra os trabalhadores, seus direitos e os sindicatos. Pelo menos duas candidaturas estão claramente identificadas com esse primeiro projeto. 

O segundo projeto, no campo democrático e popular, defende uma política voltada aos interesses da classe trabalhadora e pedem a revogação da reforma trabalhista, que acabou com nossos direitos.

No ano passado, a aprovação da lei da terceirização e a Reforma Trabalhista foi dramática e destruidora tanto para os direitos históricos dos trabalhadores, quanto para a sobrevivência dos sindicatos e da própria Justiça do Trabalho. O governo golpista e ilegítimo de Temer e seus aliados patronais da poderosa Fiesp praticamente destruíram a CLT e promoveram o fechamento de centenas de sindicatos em todo o país. Mas Temer não estava só. Contou com a ajuda dos três senadores capixabas e da maioria dos deputados federais do estado, que votaram contra os trabalhadores. Daí a importância de estarmos atentos, também, nos parlamentares que iremos voltar.

A você, eleitor trabalhador comerciário, caberá escolher o projeto que mais lhe atende: aquele que retira ainda mais os seus direitos ou aquele projeto que não só os devolverá, bem como os ampliará. Afinal, direito não se reduz, se amplia. A reforma trabalhista já mostrou a que veio: confisco de direitos e aumento do desemprego. O único emprego que tem aumentado é o emprego precário, desprovido de direitos. Mas não adianta ficarmos reclamando. A retomada de direitos está em nossas mãos, bastando que prestemos atenção nos candidatos que estão apresentados e votemos naqueles de fato identificados com os interesses dos trabalhadores.

Votar consciente é um ato cidadão e de afirmação de luta. Para a gente não se arrepender depois.

Terça, 03 Abril 2018 17:18

O que a fortuna de Jezz Bezos tem a ver com as condições inaceitáveis de salários e trabalho dos empregados do comércio? Bezos é o CEO da Amazon. CEO é a sigla inglesa para Chief Executive Officer, que significa Diretor Executivo, a pessoa com maior autoridade na hierarquia operacional de uma organização. O chefão. Aquele que manda na parada toda. O que é a Amazon? Se você é comerciário ou comerciária e desconhece a palavra, é bom passar a se familiarizar. Porque, em algum momento da sua vida, ela lhe dirá muito, mas muito a respeito. 

A Amazon é a mais poderosa multinacional de comércio eletrônico (eCommerce) do planeta, uma gigante de 61 bilhões de dólares de receita em todo o mundo e que vende de tudo. O crescimento da Amazon tem aquecido fortemente o mercado do varejo digital e levado aos grandes conglomerados de lojas físicas – sobretudo shopping centers – a viverem seu período de acentuada decadência. 

Cada dia mais o consumidor tem substituído a compra direta pela online, mais cômoda e barata. A popularização do pacote de dados, o acesso à internet e aos smartphones cada vez mais versáteis e poderosos também têm facilitado a busca pelo consumo digital.

Não por acaso, Bezos, acaba de figurar, neste ano, na lista do homem mais rico do planeta, com uma fortuna avaliada em US$ 105,1 bilhões. 

A cada vez que o sol nasce, a fortuna de Bezos aumenta US$ 287 milhões, não se sabe se na razão diretamente proporcional do sacrifício do emprego de um trabalhador de uma loja física fechada por não dispor de mecanismos para competir com as vendas online. O fato é que o eCommerce trata-se de um desafio urgente para o movimento sindical comerciário, sobretudo no campo da Federaçao (Fetracs) e da Confederaçâo Cutista (Contracs). Esse é o debate do mundo do trabalho no setor do comércio que os anos 2020 apontam.

Quinta, 25 Janeiro 2018 01:12

Quando se perguntar por que a eleição sem Lula é fraude, o interessante é na verdade fazer uma reflexão sobre como será uma eleição sem a presença dele. Vejamos, na curta história da democracia deste país, Lula sem dúvidas foi o presidente mais popular. Durante os oitos anos em que esteve na presidência do Brasil, Lula governou para o povo, para as minorias, para a classe trabalhadora, e isso, meus caros, afeta diretamente o orgulho ferido da elite brasileira. 

Em um cenário catastrófico como o atual, em que o presidente (Michel Temer) é simplesmente o mais rejeitado de toda a história, com apenas 3%, que suas ações atingem diretamente a população mais necessitada, a imagem de Lula surge, de forma natural. É na figura do Lula que a classe operária deposita suas esperanças para virar o jogo e construir um futuro melhor. 

Tirar do Lula a possibilidade de se candidatar é a jogada mais baixa e ardilosa manipulada pelos grandes empresários. O ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira disse bem, “são nítidos os interesses econômicos por trás dessa fraude, assim como não dá mais para esconder o partidarismo da operação Lava Jato e da mídia corporativa, que têm o PT e o presidente Lula como alvo exclusivo”. 

Juca Ferreira afirma ainda, “a usurpação de direitos dos trabalhadores; a desregulamentação da economia; o enfraquecimento dos sindicatos; a privatização das estatais; a liberação da exploração indiscriminada dos recursos naturais e o desmonte da educação, são dimensões do processo de articulação da elite minoritária deste país”. 

Condenar Lula na maior farsa judicial de que se tem notícia, é uma tentativa sórdida e desesperada de exclui-lo do processo eleitoral – manobra que dificilmente será bem-sucedida. Afinal, o crime de Lula, na verdade, foi comandar um governo voltado para os mais pobres, um governo mais popular e soberano. E isso a Elite do país não admite, pois estão empenhados e concentrando forças para tentar condenar Lula a qualquer custo, mesmo sem nenhuma prova ou resquício de crime algum. 

Eleição sem Lula é fraude diretamente contra nós trabalhadores, pois foi em seu governo que tivemos mais empregos, mais renda, valorização do Salário mínimo e programas sociais que tiraram o Brasil da miséria. Lula representa o nosso direito a voltar a sonhar com um Brasil melhor e mais justo. Eleição sem Lula é fraude!

Quinta, 17 Agosto 2017 20:40

 

O governo do ilegítimo presidente Temer não se notabiliza apenas por ser golpista. Mas, também, por ser cruel. Contra a sociedade em geral e os trabalhadores em particular. Pouco mais de duas semanas após ter promovido o maior desmonte dos direitos e conquistas dos trabalhadores, remetendo a relação capital e trabalho para o Brasil dos anos 30 pré-CLT, Temer e sua equipe econômica de banqueiros, com a cara mais porca e cínica do mundo, anunciam uma "ótima notícia" para os trabalhadores a Caixa Econômica Federal irá repartir 7,8 bilhões de reais nas contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de 88 milhões de trabalhadores.

O montante corresponde à metade do lucro do Fundo em 2016. A crueldade fica por contra da participação do trabalhador nesse lucro: a maioria (73,63%) vai receber até R$ 10 e só 0,01% das contas terá um crédito acima de 5 mil reais. "Isso é tratar o trabalhador com respeito”, disse o golpista, quando do anúncio da medida, em um ato de cinismo e escárnio. A mais nova cortina de fumaça para tentar desviar o foco das bandalheiras de seu (des)governo, que já derrapa ladeira abaixo nos índices de 5% de popularidade, acontece na mesma semana em que o governo fecha o ciclo de liberação de emendas parlamentares (R$ 3,6 bilhões) e o loteamento de cargos públicos nos órgãos federais para acomodar os pleitos de sua base fisiológica no verdadeiro balcão de negócios em que se transformou o Planalto nos últimos dias. Na completa ausência de políticas sociais consistentes e autênticas, o (des)governo que aí está vive de costurar gambiarras do tipo "me engana que eu gosto" que não se sustentam em pé.

O próprio FGTS já foi usado ano passado nessa marquetagem "sociedade trouxa", ao se promover o saldo da reserva do fundo como a salvação financeira para as famílias e os trabalhadores brasileiros. Um a um, famílias e trabalhadores foram descobrindo o engodo. Quando não tinham nada a receber, tinham como saldo o "milionário" depósito de R$ 200, estourando R$ 300. Desde o seu princípio, o (des)governo Temer vende ilusões. Isso porque, uma coisa é o político, o ser humano Michel Temer. Ele não chegou ali exclusivamente por sua vontade nem se mantém no poder apenas por que quer. Ele é uma peça em um jogo de disputa ideológica, para o qual ele se encontra a serviço do capital (ou elites, como queiram chamá-lo). No momento em que não mais interessar ao capital, a peça de reposição Temer será simplesmente substituída por outra peça que continue a manter e beneficiar seus interesses.

O "Fora Temer" nem faz coceira na luta de classes e na disputa hegemônica do poder. A disputa ideológica se dá na superestrutura do poder. No centro do capital.

 

Segunda, 03 Julho 2017 18:06

Temer está no sal. Apenas 44 deputados, dos 513 entrevistados pelo jornal “O Globo”, se manifestaram contra a autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) aceite a denúncia de corrupção passiva contra ele, o que poderia levá-lo ao afastamento imediato do cargo. O jornal perguntou a cada um dos parlamentares como pretendem votar. O resultado mostra a dificuldade do presidente golpista em conseguir hoje quem o defenda explicitamente: seu apoio não chega a 10% da Câmara.

Assim como ocorre com os pedidos de impeachment, para que uma investigação criminal contra o presidente da República possa ser aberta é necessário que dois terços da Câmara, ou 342 deputados, autorizem o Supremo a avaliá-la. Caso não se conclua que há elementos para tornar Temer réu, ele será imediatamente afastado do mandato por até seis meses, enquanto correm as investigações. Neste período, assume o primeiro da linha sucessória, posto hoje ocupado pelo não menos ilegítimo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Isso porque a Constituição prevê eleições indiretas pelo Congresso Nacional em 30 dias, caso o presidente e o vice deixem os cargos nos últimos dois anos de mandato.

É o que diz a Constituição. Mas não o que diz as ruas.

Tramita no Senado uma Proposta de Emenda à Constituição, que já vem sendo chamada de PEC das Diretas, que altera o artigo que trata da vacância da presidência e institui eleições diretas até o último ano do mandato. Proposta pelo senador Reguffe (sem partido-DF), a PEC já aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Tanto o isolamento no Congresso do golpista Temer quanto a proposta em tramitação no Senado que institui eleições diretas não são obra do acaso, mas fruto da pressão popular, dos sindicatos, trabalhadores e dos movimentos organizados da sociedade nas duas últimas greves gerais (28/4 e 30/6) e nas diversas manifestações, atos, mobilizações e passeatas em todo o país.

O Congresso está sentido o peso de nossa força. E isso só acontece porque não estamos deixando a mobilização esfriar. Todo dia tem algum ato no Brasil. A última greve geral greve foi forte no Espírito Santo e no Brasil inteiro e mostrou a força da classe trabalhadora. Agora, o desafio agora é aumentar a pressão sobre os congressistas para derrotar definitivamente a Reforma Trabalhista. É como disse o presidente da CUT nacional, Vagner Freitas, estamos enfrentando um dos maiores golpes dos últimos 20 anos. Mas estamos resistindo com força, garra e luta. Agora, é seguir firme nas ruas e praças contra esse golpe e contra a tomada de nossos direitos, sem dar descanso aos golpistas.

Quarta, 30 Novembro 2016 22:27

Estava lá no olho do furacão do “Ocupa Brasília”. Eu vi. Se aproximava o cair da tarde da terça-feira, dia 29. Eu era um dos centenas de milhares de manifestantes entre dirigentes sindicais, estudantes universitários e secundaristas, sem-teto, representantes de movimentos sociais. Estávamos ali exercendo nosso legítimo e democrático direito cidadão de reivindicar investimentos em saúde e educação, bem como pressionar senadores para votar contra a PEC 55, que congela tais investimentos por 20 anos.

O ato, companheiros, também lembrou o estudante Guilherme Irish, militante do movimento estudantil contra a aprovação da PEC, morto no último dia 15 pelo pai por discordâncias políticas e ideológicas. Mas, na terça-feira, foi assim, companheiros, nos concentramos em frente ao Ministério da Educação, onde estudantes protestaram contra a reforma do ensino médio, prevista pela Medida Provisória (MP) 746, e partimos em passeata até o gramado do Congresso Nacional. Seguíamos pacíficos quando, de repente, tudo começou.

Eu estava lá, companheiros. Eu vi.

Vi a tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal entrar em cena para desmobilizar com violência e brutalidade a manifestação, que seguia pacífica, com o uso de balas de borracha, spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

Companheiros, estava lá. Eu senti. Não dava para respirar naquele lugar. A mistura dos gases da pimenta com o lacrimogênio entra por nossos olhos e narizes. Impossível enxergar e respirar.

Companheiros, tínhamos adolescentes ali, quase meninos. Os tiros de balas de borracha eram à queima-roupa. Aquilo foi uma grande irresponsabilidade, companheiros.

Eu estava lá, eu vi.

Não havia um comando naquela ação de repressão, companheiros. Vi isso, eu estava lá. Havia, apenas, uma tropa fortemente armada e fanatizada. Falamos com tenentes, coronéis e não houve disposição para diálogo. Cada grupo teve uma decisão própria.

Ao contrário do que propagandeou a mídia golpista, companheiros, não incentivamos qualquer tipo de depredação do patrimônio público. Mas nos assustamos e ficamos perplexos com a polícia militar jogar bombas de efeito moral, gás de pimenta, cavalaria e balas de borracha contra estudantes, alguns menores de idade, que protestam pacificamente, um claro reflexo de um governo autoritário, ilegítimo e que não tem um mínimo de senso de diálogo.

Mas foi assim que aconteceu, companheiros. E esse é o meu testemunho como participante daquela grande manifestação, na condição de representante do Sindicomerciários e da Fetracs/Contracs/CUT. Testemunhei porque estava lá, no centro dos acontecimentos.

Companheiros, eu vi.

Terça, 29 Novembro 2016 20:01

O Brasil assistiu nos últimos dias ao desmonte dos mais caros direitos constitucionais, com a aprovação da PEC 55 (antigo 241) pelos deputados, que congela os gastos públicos por 20 anos, tanto em infraestrutura quanto na área social. Assim, saúde, educação, assistência social, ciência e tecnologia, esporte, habitação, saneamento, segurança, cultura, agricultura, indústria, meio ambiente, turismo, o Poder Judiciário, o Ministério Público, bem como a política de aumento real do salário mínimo e programas como Bolsa Família, Luz para Todos, Mais Médicos, etc. estarão comprometidos e mesmo inviabilizados.

Trata-se de um duro golpe contra o povo brasileiro que só se tornou possível graças ao presidente golpista Michel Temer (PMDB). Para aprovar a "PEC da Maldade" o "governo" Temer está recorrendo a qualquer expediente, incluindo publicidade farta e enganosa à custa do escasso erário.

Estudo encomendado pelo Senado, projetando o impacto dessa PEC em saúde e educação de 2015 até 2018, revela números estarrecedores: uma redução de R$ 255,5 bilhões na educação e de R$ 168,2 bilhões na saúde. E para piorar a situação, as despesas desses setores perderiam seus critérios de proteção com a inversão da lógica constitucional, ou seja, onde há obrigação de gastos mínimos haveria um teto.

A pressa de Temer e seus aliados nessa matéria é de natureza ideológica. Visa reduzir as despesas públicas em investimentos e programas sociais para assegurar a rentabilidade dos especuladores, que, apenas em 2015, embolsaram R$ 501,8 bilhões de juros da dívida, enquanto a despesa com benefícios previdenciários foi de R$ 436,1 bilhões. Privilegia-se assim o capital rentista em detrimento dos serviços públicos prestados à sociedade. Se o que está ameaçado são os serviços públicos, direitos dos mais pobres, dos trabalhadores.

A votação segue agora para o Senado, quem vota a favor da PEC 55 (antiga 241) vota contra o Brasil!

Quinta, 14 Julho 2016 18:10

Imagine um mundo onde não haja SUS e que todos sejam terceirizados e recebam a metade do seu salário atual. Imagine um mundo em que as pessoas tenham que trabalhar 11 horas por dia, sete dias por semana (as tais 80 horas), e que só possam se aposentar aos 75 anos de idade, independente de terem começado a trabalhar aos 14. Imaginou? Esse é o mundo encantado que o presidente interino Michel Temer pretende implantar no país, caso se confirme a permanência no cargo .

Após tantas lutas, greves, suor, lágrimas e sangue derramado pelos trabalhadores em defesa de seus direitos nos vemos agora correndo grave risco de perder todas essas conquistas. Isso porque o Temer que aí está tem por base de apoio o setor mais atrasado do empresariado e da mídia golpista, além de parlamentares conservadores e corruptos. E todos esses atores políticos e sociais trabalham com uma lógica frontalmente contrária aos interesses da classe trabalhadora.

E é exatamente com o apoio desses empresários inescrupulosos que o presidente interino Temer pretende promover uma verdadeira devassa nos direitos dos trabalhadores. A começar pela terceirização, que se que aprovar de forma generalizada, sem qualquer critério ou limite. Se esse ataque passar, os patrões vão aproveitar para acabar com o registro em carteira e reduzir ainda mais os salários. Além disso, o governo Temer defende, também, que seus direitos não sejam mais garantidos por lei, isto é, em pouco tempo, direitos como férias, 13º, FGTS, licença-maternidade, entre outros.

Como sempre, reverter esse quadro apenas será conquistado com muita luta. Temos que voltar às origens da mobilização e organização em torno do nosso sindicato e retomar as ruas, as praças, as cidades e pressionar os parlamentares federais (deputados e senadores) de nosso estado para trazê-los para o nosso lado e fazer com que defendam os interesses da classe trabalhadora.

Agora, mais do que nunca, mais do que sempre, a ordem é lutar!